Após mandar apurar se os grampos telefônicos que registraram conversas de parlamentares e autoridades dos três Poderes tiveram origem no Senado, o presidente da casa, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), afirmou nesta terça-feira acreditar que haverá punições aos culpados pelas escutas. De acordo com o parlamentar, o afastamento da cúpula da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) é um sinal de que a investigação será "rigorosa".
"Acredito que o afastamento [do diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda] e todas as conseqüências que ele gerou vislumbra essa perspectiva de que poderemos ter realmente punição, investigação rigorosa. O que não aconteceria com a Polícia Federal investigando um ex-diretor da própria Polícia Federal", afirmou Garibaldi durante evento em São Paulo.
O senador também afirmou que aguarda a votação de um projeto na Câmara que busca aperfeiçoar as leis do grampo. O projeto, segundo Garibaldi, deve ser votado no plenário na quarta-feira da semana que vem. "A minha crítica permanece, mas acho que agora é hora do Legislativo legislar", disse o senador.
O ministro das Relações Institucionais, José Múcio, saiu em defesa do diretor-geral da Abin e disse também acreditar nas investigações da PF. "Ele foi afastado para que as investigações fossem tocadas com maior conforto. O doutor Paulo [Lacerda] é um homem de bem, um homem admirado no Brasil todo, mas foi melhor que houvesse o afastamento para que não houvesse impedimento nas investigações", afirmou.
Múcio também disse confiar no projeto que tramita no Senado para resolver a questão das escutas clandestinas. "O presidente mostrou ontem por meio de nota que disposição em parceria do Executivo com o próprio Supremo de nós encontrarmos, fazermos um projeto em que as sanções sejam mais duras. Somos todos vítimas disso", afirmou o ministro.


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